Ator-mentados


20/09/2007


 

CIDADE II

 

A cidade é cruel!

Suas esquinas infestadas de toda espécie de podridão reservam, a aqueles que não tem intimidade com as ruelas escuras e becos estreitos, surpresas nada agradáveis.

Um homem parado, encostado em um poste de luz. Clima de cinema noir tupuniquim. Uma sirene de ambulâncias ao longe, o resto é silencio...

O ônibus vindo do nada, para fora do ponto. Os relógios marcam 23:00hs. O som alto e as luzes frenéticas das tvs, escapam das casas trancadas ate o teto. Medo.

A mulher desce do ônibus e segue na rua deserta. A respiração ofegante, os passos largos e duros, o olhar desconfiado que não tem direção definida. Ela só perceber a menos de um metro de distancia, o homem encostado no poste.

Um susto, um pequeno salto para traz. Encosta no murro. O coração palpita, o ritmo acelerado, um calafrio invade seu corpo.                 

Ele -           Desculpe!

Ela -           (silencio)

Ele -           Desculpe!

Ela -           (silencio)

Ele -           Sente-se bem?

Ela -           (silencio)

Cena paralisada, tudo agora é um zumbindo incessante. O homem fala:

Ele -           Do ponto de vista dela, um rosto desfigurado,  mudo.     Querendo se fazer entender a todo custo.

Ele, calmo, solicito, na intenção de ajudá-la caminha em sua direção.

Ela -           Não entende o gesto, o bom gesto. Ela esta surda, cega, sua adrenalina esta a mil.

Ele -           Se aproxima mais...

Ela -           Barata acuada num canto da sala.

Ele -           Avança.

Olhos nos olhos,

O dela de medo,

O dele tranqüilo.

Um gemido...

Ele -           (Sussurra) Por que?

Ela -           (silencio)

Ele -           (Quase sem fôlego) O que foi que eu f...(silencio)

Ela -           (silencio)

Um punhal, ponta aguçada, lamina afiada, um simples golpe.

Ele -           Um órgão vital, sem dor, só uma fisgada, um suspiro e pronto.

A cidade é bem cruel

Escrito por Eduardo Chagas às 14h22
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