CIDADE II
A cidade é cruel!
Suas esquinas infestadas de toda espécie de podridão reservam, a aqueles que não tem intimidade com as ruelas escuras e becos estreitos, surpresas nada agradáveis.
Um homem parado, encostado em um poste de luz. Clima de cinema noir tupuniquim. Uma sirene de ambulâncias ao longe, o resto é silencio...
O ônibus vindo do nada, para fora do ponto. Os relógios marcam 23:00hs. O som alto e as luzes frenéticas das tvs, escapam das casas trancadas ate o teto. Medo.
A mulher desce do ônibus e segue na rua deserta. A respiração ofegante, os passos largos e duros, o olhar desconfiado que não tem direção definida. Ela só perceber a menos de um metro de distancia, o homem encostado no poste.
Um susto, um pequeno salto para traz. Encosta no murro. O coração palpita, o ritmo acelerado, um calafrio invade seu corpo.
Ele - Desculpe!
Ela - (silencio)
Ele - Desculpe!
Ela - (silencio)
Ele - Sente-se bem?
Ela - (silencio)
Cena paralisada, tudo agora é um zumbindo incessante. O homem fala:
Ele - Do ponto de vista dela, um rosto desfigurado, mudo. Querendo se fazer entender a todo custo.
Ele, calmo, solicito, na intenção de ajudá-la caminha em sua direção.
Ela - Não entende o gesto, o bom gesto. Ela esta surda, cega, sua adrenalina esta a mil.
Ele - Se aproxima mais...
Ela - Barata acuada num canto da sala.
Ele - Avança.
Olhos nos olhos,
O dela de medo,
O dele tranqüilo.
Um gemido...
Ele - (Sussurra) Por que?
Ela - (silencio)
Ele - (Quase sem fôlego) O que foi que eu f...(silencio)
Ela - (silencio)
Um punhal, ponta aguçada, lamina afiada, um simples golpe.
Ele - Um órgão vital, sem dor, só uma fisgada, um suspiro e pronto.
A cidade é bem cruel



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