
CIDADE III
A cidade é cruel!
A cidade adormece, a noite chega em meio ao barulho ensurdecedor dos carros dos trabalhadores ávidos por chegarem em suas casas e curtir a noite com a família, longe do submundo que a noite reserva na grande metrópole.
São 22:10hs, André esperou muito tempo no boteco da esquina para ir para o aconchego de seu lar. André é um cara pacato, boa pinta, um assalariado de luxo, que mantêm seu status as custas de muitas prestações.
Ele tem um carro bacana, desses importados, que é para encantar as menininhas, e um funcional “SL” para o trabalho.
A empresa acha que ele tem futuro.
A empresa quer promovê-lo. Por isso André trabalha ate mais tarde, quer vencer e sair do voador, elástico, borrachudo etc.
Mais a grana pra cerveja que é sagrada.
Depois do trabalho, não tem jeito, duas loiras geladas tem que rolar.
22:08hs, ultimo gole da cerveja.
Amanha é sábado, mas André, André esta de olho na promoção, ele vai trabalhar no dia seguinte, ele vai cumprir a rotina diária. Levantar as 6:45hs, ducha rápida, café da mãe, um beijo gostoso. Tchau mãe. Tchau filho vai com Deus! 7:59hs, papeis, despachos, carimbo, vistos, papeis, despachos, carimbo, vistos, papeis, despachos, carimbo, vistos.12:00hs. Almoço, uma polidura no carrão, um lanche rápido e rápido para o escritório, papeis, despachos, carimbo, vistos, papeis, despachos, carimbo, vistos. 19:45hs. “-Chega!”, descansar, duas cervejas.
Dia difícil.
Dia tranqueira.
Ele tem que pendurar. Grana só pra “gasopa”, são só duas cervinhas, amanha ele paga... Amanha ele paga...
Ele entra no carro, era o carro bacana, liga o motor, dá um aceno pro “portuga”, engata uma primeira, depois segunda... e lá se vai André... Sexta- feira.
No dia seguinte André não passou pra tomar as cervas, e nem fora trabalhar e isso aconteceu na segunda-feira e no outro dia e no outro e no outro... Ate que encontraram André. Não vou aqui fazer uma descrição do estado que ele fora encontrado mas ele já havia sito enterrado, só deu pra ver as fotos. O legista deu no laudo...
André da Silva morreu aos 26 anos vitima de roubo seguido espancamento e abuso sexual. Levaram o carro bacana, o funcional não cobriu um quinto de suas dividas.
Pobre André, agora pilota um caixão de madeira, como indigente numa cova coletiva em um cemitério municipal.
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