Ator-mentados


26/09/2007


 

CIDADE III

 

A cidade é cruel!

 

A cidade adormece, a noite chega em meio ao barulho ensurdecedor dos carros dos trabalhadores ávidos por chegarem em suas casas e curtir a noite com a família, longe do submundo que a noite reserva na grande metrópole.

 

São 22:10hs, André esperou muito tempo no boteco da esquina para ir para o aconchego de seu lar. André é um cara pacato, boa pinta, um assalariado de luxo, que mantêm seu status as custas de muitas prestações.

Ele tem um carro bacana, desses importados, que é para encantar as menininhas, e um funcional “SL” para o trabalho.

A empresa acha que ele tem futuro.

A empresa quer promovê-lo. Por isso André trabalha ate mais tarde, quer vencer e sair do voador, elástico, borrachudo etc.

Mais a grana pra cerveja  que é sagrada.

Depois do trabalho, não tem jeito, duas loiras geladas tem que rolar.

22:08hs, ultimo gole da cerveja.

Amanha é sábado, mas André, André esta de olho na promoção, ele vai trabalhar no dia seguinte, ele vai cumprir a rotina diária. Levantar as 6:45hs, ducha rápida, café da mãe, um beijo gostoso. Tchau mãe. Tchau filho vai com Deus! 7:59hs, papeis, despachos, carimbo, vistos, papeis, despachos, carimbo, vistos, papeis, despachos, carimbo, vistos.12:00hs. Almoço, uma polidura no carrão, um lanche rápido e rápido para o escritório, papeis, despachos, carimbo, vistos, papeis, despachos, carimbo, vistos. 19:45hs. “-Chega!”, descansar, duas cervejas.

Dia difícil.

Dia tranqueira.

Ele tem que pendurar. Grana só pra “gasopa”, são só duas cervinhas, amanha ele paga... Amanha ele paga...

Ele entra no carro, era o carro bacana, liga o motor, dá um aceno pro “portuga”, engata uma primeira, depois segunda... e lá se vai André... Sexta- feira.

No dia seguinte André não passou pra tomar as cervas, e nem fora trabalhar e isso aconteceu na segunda-feira e no outro dia e no outro e no outro... Ate que encontraram André. Não vou aqui fazer uma descrição do estado que ele fora encontrado mas ele já havia sito enterrado, só deu pra ver as fotos. O legista deu no laudo...

André da Silva morreu aos 26 anos vitima de roubo seguido espancamento e abuso sexual. Levaram o carro bacana, o funcional não cobriu um quinto de suas dividas.

Pobre André, agora pilota um caixão de madeira, como indigente numa cova coletiva em um cemitério municipal.

Escrito por Eduardo Chagas às 23h06
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