



Rostos
Um jogo insólito,
Um erro fatal,
Sem constrangimento o homem anda com as próprias pernas.
Mata com as próprias mãos, rouba, mutila, engana.
O homem é raça única, inteligente.
Ignorante geneticamente.
Os poucos sábios morrem cedo nas mãos da maioria... Ignorante!
Os insanos cultuados dominam propagando o medo, o ódio e o preconceito.
Cheiro de sangue,
uma mãe que chora e outra que vai presa.
Cheiro de sangue,
o menino “cracado” até o osso, dorme um sono numa esquina.
Seus pés encardidos, seu rosto chupado, seu corpo mirrado cheira a sujeira.
Que garoto é esse? De onde veio? Presume-se que não vai muito longe...
Ele anda de um lado para outro.
- Moça me da um trocado? A senhora vai ter um dia de muita sorte, eu queria tomar coma coca, paga pra mim? Sua vaca... Sua puta. Ele quer me matar moço... Jogo fora mesmo e daí?
E o homem do saco, o homem do saco existe, ele passa na minha rua todos os dias, as vezes me pede um cigarro. Coça a cabeça suja e cheia de pilho. Não tem jeito de quem bebe. O desanimo esta nos seus olhos humilis, ele esta morto e ninguém o vê estirado na calçada, barba mal feita cheirando a urina.
Esse é o homem, que morre em silencio, no escuro dos olhos abertos da multidão que passa por ele nem percebe.
Cheiro de sangue, E a velha sem dentes, sentada na saída de um túnel barulhento, fica surda e sua voz não é ouvida.
Grito mudo.
Um menino, um homem, e uma velha senhora.
Rostos invisíveis, rostos sem face,
Rostos perdidos num mundo abastado de gente.
Jogo insólito,
Erro fatal.
É isso ai!
|
|
|
|