



Rostos
Um jogo insólito,
Um erro fatal,
Sem constrangimento o homem anda com as próprias pernas.
Mata com as próprias mãos, rouba, mutila, engana.
O homem é raça única, inteligente.
Ignorante geneticamente.
Os poucos sábios morrem cedo nas mãos da maioria... Ignorante!
Os insanos cultuados dominam propagando o medo, o ódio e o preconceito.
Cheiro de sangue,
uma mãe que chora e outra que vai presa.
Cheiro de sangue,
o menino “cracado” até o osso, dorme um sono numa esquina.
Seus pés encardidos, seu rosto chupado, seu corpo mirrado cheira a sujeira.
Que garoto é esse? De onde veio? Presume-se que não vai muito longe...
Ele anda de um lado para outro.
- Moça me da um trocado? A senhora vai ter um dia de muita sorte, eu queria tomar coma coca, paga pra mim? Sua vaca... Sua puta. Ele quer me matar moço... Jogo fora mesmo e daí?
E o homem do saco, o homem do saco existe, ele passa na minha rua todos os dias, as vezes me pede um cigarro. Coça a cabeça suja e cheia de pilho. Não tem jeito de quem bebe. O desanimo esta nos seus olhos humilis, ele esta morto e ninguém o vê estirado na calçada, barba mal feita cheirando a urina.
Esse é o homem, que morre em silencio, no escuro dos olhos abertos da multidão que passa por ele nem percebe.
Cheiro de sangue, E a velha sem dentes, sentada na saída de um túnel barulhento, fica surda e sua voz não é ouvida.
Grito mudo.
Um menino, um homem, e uma velha senhora.
Rostos invisíveis, rostos sem face,
Rostos perdidos num mundo abastado de gente.
Jogo insólito,
Erro fatal.
É isso ai!

Culpado ate que provem ao contrário
Sempre vejo o um jornal de tv pela manhã e hoje fui surpreendido com a noticia de que o jogador de futebol brasileiro Robinho esta sendo acusado de ter se aproveitado sexualmente de uma jovem em uma boate em algum lugar da Europa.
Bem, em qualquer lugar no mundo, o réu é inocente ate que provem ao contrario, (pelo menos é o que diz a lei!) e essa prova deve ser no meu entender, com apresentação de evidencias concretas que levem a culpabilidade do réu.
Bem a noticia nem saiu direito e as pessoas, como de costume, vivem metendo o nariz tendo certezas das coisas, sem ao menos ouvir as parte. O réu é culpado e pronto, merece a cadeira elétrica, linchamento em praça publica sem direito ao menos de se explicar.
O pior é que, esse tipo de atitude, o de acusar sem ter prova, não é só privilegio de gente ignorante, sem cultura. Muito pelo contrario, homem que são referencias, vivem falando merda, dando opinião sem base, certos de que estão certos e o mais engraçado é que se acham dignos .
São deputados, presidentes, padres, socialites, atletas e jornalistas que não sei por qual motivo, ao invés de trata de assuntos pertinentes as suas funções atuam no papel de santos mártires, e porque acham que por terem virtudes excepcionais podem usar suas espadas de múltiplos canais para assim se sobrepor, esquecendo de que também eles próprios já passaram em algum momento da vida por esse esquema viciado do juiz e jurado e sentença, o que é o cumulo.
O senhor Edson Arantes do Nascimento, conhecido como Pelé, o Rei Pelé, foi procurado por emissoras de tv para comentar o assunto. E ele, ao invés de ficar calado ou dizer, “vamos ouvir primeiro o que o garoto tem a dizer”, não, o grande Rei já foi atirando para tudo que é lado, sem um mínimo de escrúpulo. Ele disse: Pôxa gente, a gente tem uma dificuldade para ser aceito lá fora, e vem essa garotada, ainda mais ele, que é nossa referencia, e apronta uma dessa...
Agora eu pergunto:
Será que o senhor se esqueceu da filha bastarda que o senhor se negou a dar a paternidade, o senhor nem no enterro dela foi, mandou flores pelo correio, foi negligente e cruel, por causa do que? Dinheiro de pensão? De medo de perder a fortuna o prestigio?
Ou melhor, você sabe por que crime seu filho foi preso?
Então senhor Rei do Futebol, quem tem telhado de vidro não atira pedra em telhado alheio, assim diz o sábio ditado.
Para de viver na idade media Rei, e da próxima vez que lhe fizerem uma pergunta que envolva terceiro, diga apenas: Vamos ouvir que ele tem a dizer, depois o juiz de direito dará a sentença.
Simples e nobre majestade, simples e nobre!
È isso ai!
Faxina
Não me interessa a sujeira do corpo,
Me inflama é a sujeira do caráter
Sujeira no compactuar
No não agir
Na imobilidade pueril.
Sujeira pra viver "descentemente"
Sujeira presente.
Remela de nariz,
Ranho fétido
Merda que vem de dentro
Sujeiras,
Flatulentas,
Políticas,
Religiosas
E familiares.
Sujeira que se aspira,
Que se vicia.
Sujeira, a mais pura sujeira.
Sujeira que não é só de um, de outro,
É sujeira do todo.
Do banco,
Da feira livre,
Dos mercados,
Da gostosa que passa na rua,
Da porra do gerente,
Da gente,
Eu, você...
E é sujeira que não se lava com água.
É sujeira com a consciência de uma consciência suja.
Defecada.
Sujeira!
Final da primeira década
Ano de 2008...
Se foi.
Só mais 730 dias.
Dois anos.
Hora mais, hora menos...
Pronto, terminaremos a primeira década
Do segundo milênio .
Grande década!
Década dos medíocres e demagogos.
Dos miseráveis e bajuladores.
Dos agitadores violentos
Das falácias secretas
Das mentiras discretas.
O gênio fala muito e faz nada,
E quando faz, é desastre,
Desastre humano,
Ambiental,
Universal,
E ai vem:
Esperança daqui, dela...
E a gente vai levando,
Como de costume, na mesmice.
E com sede,
Muita sede de poder...
O Poder ter,
O Poder mandar, esnobar, eliminar
O Poder, extorquir, roubar, matar
O Poder ludibriar,
Crianças são jogadas de janelas,
Outras, nem bem nascidas
Afogam-se em rios fétidos
Tudo criado pela nossa sede.
Balas perdidas,
A intolerância, e a crueldade
Imperaram nessa década.
Pois é, ano terminou,
Para terminar a década apenas dois anos...
Então, coloquemos a mão na consciência e nos perguntemos, com muita sinceridade: "O que queremos para as gerações futuras?"
Não falo apenas da família: pais, filhos, netos e descendências, falo é de humanidade.
Em Dubai, Emirados Árabes, o governo suspendeu a festividade milionária, sem fogos, sem musicas em respeito aos mortos palestinos no ataque que Israel desferiu sobre a Faixa de Gaza e em repudio aos agressores israelenses. Notem, não houve violência, só essa manifestação legitima.
Isso é um ato de humanidade.
Tomara que no futuro eu possa dizer sem hipocrisia:
Feliz Ano Novo.
Este ano quero paz no meu coracao, quem quiser seu meu amigo que me de a mao, o tempo passa e com ele caminhamos juntos sem parar, nossos passos pelo chao vao ficar.
Marcas do que se foi, sonhos que vamos ter, quando todo dia nasce novo em cada amanhecer...
O Último Discurso
O Grande Ditador
Charles Chaplin
Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar - se possível - judeus, o gentio ... negros ... brancos.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar ou desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma do homem ... levantou no mundo as muralhas do ódio ... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas duas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio aproximaram-se muito mais. A próxima natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem ... um apelo à fraternidade universal ... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora ... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas ... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: "Não desespereis!" A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia ... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem os homens, a liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais ... que vos desprezam ... que vos escravizam ... que arregimentam as vossas vidas ... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar ... os que não se fazem amar e os inumanos.
Soldados! Não batalheis pela escravidão! lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela ... de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo ... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos.
Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontres, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergues os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!
é isso ai!
Este site mostrar a cena do ultimo discurso, vale apena ver!
http://www.youtube.com/watch?v=QcvjoWOwnn4

CIDADE III
A cidade é cruel!
A cidade adormece, a noite chega em meio ao barulho ensurdecedor dos carros dos trabalhadores ávidos por chegarem em suas casas e curtir a noite com a família, longe do submundo que a noite reserva na grande metrópole.
São 22:10hs, André esperou muito tempo no boteco da esquina para ir para o aconchego de seu lar. André é um cara pacato, boa pinta, um assalariado de luxo, que mantêm seu status as custas de muitas prestações.
Ele tem um carro bacana, desses importados, que é para encantar as menininhas, e um funcional “SL” para o trabalho.
A empresa acha que ele tem futuro.
A empresa quer promovê-lo. Por isso André trabalha ate mais tarde, quer vencer e sair do voador, elástico, borrachudo etc.
Mais a grana pra cerveja que é sagrada.
Depois do trabalho, não tem jeito, duas loiras geladas tem que rolar.
22:08hs, ultimo gole da cerveja.
Amanha é sábado, mas André, André esta de olho na promoção, ele vai trabalhar no dia seguinte, ele vai cumprir a rotina diária. Levantar as 6:45hs, ducha rápida, café da mãe, um beijo gostoso. Tchau mãe. Tchau filho vai com Deus! 7:59hs, papeis, despachos, carimbo, vistos, papeis, despachos, carimbo, vistos, papeis, despachos, carimbo, vistos.12:00hs. Almoço, uma polidura no carrão, um lanche rápido e rápido para o escritório, papeis, despachos, carimbo, vistos, papeis, despachos, carimbo, vistos. 19:45hs. “-Chega!”, descansar, duas cervejas.
Dia difícil.
Dia tranqueira.
Ele tem que pendurar. Grana só pra “gasopa”, são só duas cervinhas, amanha ele paga... Amanha ele paga...
Ele entra no carro, era o carro bacana, liga o motor, dá um aceno pro “portuga”, engata uma primeira, depois segunda... e lá se vai André... Sexta- feira.
No dia seguinte André não passou pra tomar as cervas, e nem fora trabalhar e isso aconteceu na segunda-feira e no outro dia e no outro e no outro... Ate que encontraram André. Não vou aqui fazer uma descrição do estado que ele fora encontrado mas ele já havia sito enterrado, só deu pra ver as fotos. O legista deu no laudo...
André da Silva morreu aos 26 anos vitima de roubo seguido espancamento e abuso sexual. Levaram o carro bacana, o funcional não cobriu um quinto de suas dividas.
Pobre André, agora pilota um caixão de madeira, como indigente numa cova coletiva em um cemitério municipal.
CIDADE II
A cidade é cruel!
Suas esquinas infestadas de toda espécie de podridão reservam, a aqueles que não tem intimidade com as ruelas escuras e becos estreitos, surpresas nada agradáveis.
Um homem parado, encostado em um poste de luz. Clima de cinema noir tupuniquim. Uma sirene de ambulâncias ao longe, o resto é silencio...
O ônibus vindo do nada, para fora do ponto. Os relógios marcam 23:00hs. O som alto e as luzes frenéticas das tvs, escapam das casas trancadas ate o teto. Medo.
A mulher desce do ônibus e segue na rua deserta. A respiração ofegante, os passos largos e duros, o olhar desconfiado que não tem direção definida. Ela só perceber a menos de um metro de distancia, o homem encostado no poste.
Um susto, um pequeno salto para traz. Encosta no murro. O coração palpita, o ritmo acelerado, um calafrio invade seu corpo.
Ele - Desculpe!
Ela - (silencio)
Ele - Desculpe!
Ela - (silencio)
Ele - Sente-se bem?
Ela - (silencio)
Cena paralisada, tudo agora é um zumbindo incessante. O homem fala:
Ele - Do ponto de vista dela, um rosto desfigurado, mudo. Querendo se fazer entender a todo custo.
Ele, calmo, solicito, na intenção de ajudá-la caminha em sua direção.
Ela - Não entende o gesto, o bom gesto. Ela esta surda, cega, sua adrenalina esta a mil.
Ele - Se aproxima mais...
Ela - Barata acuada num canto da sala.
Ele - Avança.
Olhos nos olhos,
O dela de medo,
O dele tranqüilo.
Um gemido...
Ele - (Sussurra) Por que?
Ela - (silencio)
Ele - (Quase sem fôlego) O que foi que eu f...(silencio)
Ela - (silencio)
Um punhal, ponta aguçada, lamina afiada, um simples golpe.
Ele - Um órgão vital, sem dor, só uma fisgada, um suspiro e pronto.
A cidade é bem cruel
As coisas são como a gente às faz; quem causa tem conseqüência; a vida, ou talvez quem sabe, o alivio da morte.
Uma vez, eu estava saindo do prédio de uma amiga na av. São Luis no centro de São Paulo. Avenida, esta, muito movimentada durante o dia e boa parte da noite, trabalhadores, donas de casa, desocupados, estrangeiros, pedintes, mães de santo, ciganos, policia, travestis, putas, a fina flor da alta sociedade paulistana, “os velhinhos sem saúde e viúvas sem porvir” (Chico Buarque), muita gente passa nessa rua, muita mesmo... Então, ao sair do prédio me deparo com uma cena no mínimo grotesca:
Um homem cerca de uns trinta e tantos anos, vinha andando entre as pessoas, cambaleante, olho para seu rosto, ao mesmo tempo que ele leva a mão, que manchada de vermelho segura um gorro vermelho, surrado, o rosto agora visível, pintado com o liquido rubro. Da sua testa uma bica do sangue marcava o caminho e chamava a atenção... E chamava a atenção... e me cham... Mas era só o que acontecia, ninguém... mas ninguém mesmo, inclusive eu, teve a coragem ou o bom senso de perguntar aquela figura, se ele precisava de alguma coisa, se estava doendo aquele corte, se o Corintians havia ganha o campeonato ou qualquer coisa parecida... O que? É fácil falar ninguém faz isso, ninguém faz aquilo?
Certo, certo... Mas eu disse logo ai em cima, INCLUSIVE EU, lembra, o Maximo que consegui fazer foi acompanhá-lo, há distancia... Quando vi que ele estava indo na direção do posto de saúde na rua Martins Fontes, achei que estava tudo bem, pensei: se ele esta indo na direção do posto, então esta tudo bem!... Tudo bem!... TUDO BEM uma ova isso sim!
Como tudo bem, se somos indiferentes aos absurdos que acontecem a um passo de nos?
Vejam vocês, meu filho, recém chegado do interior, o cu do mundo fica lá. Acredite! O! Cidadezinha pequena, sem perfectiva, vazia, pacata demais para uma juventude cheia de idéias vivas, sadias, que poderiam mudar o rumo de toda uma nação, de todo o mundo, de toda a humanidade... E quando ele chega aqui... Meu filho! As 14 hs de uma terca- feira ensolarada, ele é abordado por dois garotos quase da mesma idade...
- Me da o celu.
- O que?
- Me da a merda desse celular porra!
Reagiu...
- Não!
- Como é que é?
- Eu não vou dar!
Da-lhe porrada,
Duas da tarde,
Chute no peito,
Duas horas e quinze segundos,
Um soco na cara outro no estomago,
O sol brilha na rua movimentada,
- Ele não larga...
- Chuta o filho da puta...
Os garotos sumiram
Duas horas e quarenta e cinco segundos,
Meu filho sangrando no chão.
O celular em sua mão,
Algumas pessoas passam,
Olham,
Resmungam,
- “Esse mundo não tem jeito”.
Lentamente ele se levanta, o celular em sua forte mão,
Nada quebrado, joelho ralado.
NÃO FIZ NADA, NADA, pensava,
Cambaleava...
As dores, as dores...
Como ele,
Ninguém que estava a sua volta fez nada.
Ninguém faz nada, nada, nada.
Olha o Pais , olha as pessoas que andam pela cidade.
São carros, motos, ônibus, metro. Os aranha céu
E as bebedeiras nos botecos,
A mulher fácil na rua, o otário que fica pelado.
Nada ninguém faz nada
Os velhinhos nas ruas,
Ninguém faz nada!
As crianças que roubam e matam,
Ninguém faz nada!
Os trapos humanos largados nas vias,
Ninguém faz nada!
Políticos corruptos
Ninguém faz nada!
Bandido com frada de protetor
Ninguém faz nada!
Ninguém faz nada!
Ninguém faz nada!
A pergunta é, ate quando?
É isso ai!
Domingo passado depois de uma manha agradável com três dos meus alunos, a Renata, a Neusa e o Edson onde comemos o nosso pastel de feira de lei, na barraca da Rosa uma japonesa muito simpática que guarda sempre pra mim, um delicioso pastel de camarão, diga-se de passagem, que é o melhor pastel de camarão que já comi. Bom é melhor eu voltar ao assunto, logo depois disso saímos eu e a Angela para um almoço na Aldeia chilena em Carapicuíba. Lá chegando, pedimos um pisco e uma cerveja, o salão estava com algumas famílias com crianças, grandes, pequenas, loiras e morenas, algumas entretidas com o microfone e os instrumentos do palco, outra correndo pra lá e pra cá, uma festa.
Mas dentre todas as crianças que estavam lá, uma em especial me chamou a atenção, ela devia ter por volta de quatro anos, era um garoto andino, robusto, muito bem tratado que se colocou de quatro em cima de uma mureta e como um lobo começou a uivar. Sua performance durou uns trinta minuto, ele andava de um lado para o outro e nada o abalava, seus movimentos, salto, andar, maneira de olhar, em tudo eles parecia um lobo, ele se sentia um lobo, naquele momento ele era o próprio lobo.
Fique maravilhado com aquilo, vi naquele momento o que era fazer teatro de verdade, com muita verdade.
É isso ai!
Carta a meus amigos de palco
Ai Paulinha, Tavinho e Gruli meus amigos generosos e sábios na arte de atuar, companheiros corajosos, dedicados. Nobre dama e cavalheiros do teatro brasileiro... Gente muito boa, sabe?
Se eu fosse ter que escolher uma cena que possa estar desatenta ou relaxada... Não poderia, pois em meus quase trinta anos de carreira nunca presenciei na sua totalidade tanta entrega, apaixonada e arrebatadora.
Comecemos por Otavio Martins, apaixonado, sensível, centrado, divertido, vestido de preto,olheiras, curte a bebedeira antes do espetáculo. Concentrado, o rosto voltado pro chão, cigarro entre os dedos, a respiração. Abraço de todos:- A frase final.
Solitário brilhante.
Alex Gruli, igualmente apaixonado, agitado, alucinado, mucho loco! Capaz de arrastar a poltrona com seus urros animalescos, com a sua precisão cênica e seu sincero sorriso. Parada Gay de 2007. Vendo um desfile num apartamento da Paulista.
Alguém- Fica por ai, não vai não! (ou coisa parecida)
Gruli- Não é bem assim... (com paixão) É meu compromisso! (a obra).
Vulcão incandescente.
A doce e talentosa Paula Cohen, me emocionou nos
ensaios, me emocionou na estréia, me emocionou todos
os domingos entre sete e oito horas da noite. A começar
da maquiagem, no seu aquecimento, em sua
concentração no camarim, nas lagrimas que
buscam a verdade e que a faz chorar, nos fazendo
também chorar. Haja dignidade!
Flor de maracujá.
Não podia deixar de falar no cara. No autor e diretor
Mario Bortoloto. Na sua, e ao mesmo tempo, na do mundo.
O coração, a musica, a provocação, o talento, o
amor pela obra.
Valeu Mario, por essa oportunidade de estar com
esse elenco de profissionais e pessoas
maravilhosas.
Eremita urbano
E a Cia dos Satyros pela iniciativa e pelo sucesso desta
empreitada. Onde todos, artistas e o publico
possam desfrutar do prazer de participar da Obra.
É isso ai!
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